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Carreira em Y: como montar trilha técnica e de gestão

A carreira em Y dá ao especialista um caminho que não passa por chefiar. Veja como montar em uma empresa pequena, sem cargo de diretoria.

Por Gabriel Jatobá ·

A carreira em Y tem uma base comum e, a partir de certo nível, dois caminhos: o técnico, que cresce em profundidade e influência, e o de gestão, que cresce em responsabilidade por pessoas. Em uma pequena empresa ela cabe em duas funções com quatro ou cinco níveis cada, sem precisar de cargos de diretoria.

O problema que o Y resolve

Em muita pequena empresa, a única forma de crescer é virar chefe. O melhor técnico do time recebe a promoção como prêmio, passa a cuidar de pessoas e deixa de fazer o que fazia bem. Meses depois o time reclama, ele está esgotado e a empresa perdeu um bom executor sem ganhar um bom gestor.

A Exame descreve o Y como resposta a esse cenário: especialistas promovidos a gestão sem aptidão nem interesse. A estrutura recebe esse nome porque todos começam na base, passam por um período comum e chegam a uma bifurcação.

Como o Y funciona

  • Base comum. Os primeiros níveis valem para todo mundo, como júnior, pleno e sênior.
  • Bifurcação. A pessoa e a empresa decidem se o próximo passo é aprofundar o trabalho técnico ou assumir a liderança de pessoas.
  • Trilha técnica. Cresce o tamanho do problema que a pessoa resolve, a influência sobre decisões e a capacidade de formar os outros, sem subordinados formais.
  • Trilha de gestão. Cresce a responsabilidade por pessoas, prioridades e resultado de um grupo.

A Serasa Experian lembra que o mais importante não é o título, e sim o escopo da função, a complexidade das responsabilidades e os critérios de progressão. Um Y sem critérios é só um desenho no organograma.

Y em pequena empresa: duas funções, sem diretoria

Os exemplos de mercado trazem cargos de empresa grande, como especialista, principal e diretor. Quem tem 15 ou 30 pessoas não precisa deles. O Y cabe em uma estrutura bem mais simples.

NívelTrilha técnicaTrilha de gestão
1 a 3Júnior, pleno e sênior, base comumMesma base comum
4Especialista: resolve problemas mal definidos e forma os outrosLíder de equipe: responde por um grupo pequeno
5Referência técnica: decide padrões que valem para vários timesGestor de área: responde por pessoas, prazo e orçamento da área

O ponto de atenção está nas duas últimas linhas. Cada nível precisa ter critérios escritos, e a trilha técnica não pode parecer consolação. A Remotin avisa que sem uma matriz publicada o Y vira só discurso de atração. Quanto a salário, não há regra de que as trilhas ganhem o mesmo. É uma decisão da empresa, que deve ser explícita para não dar a entender que um caminho vale menos.

Três perguntas antes de levar alguém para a gestão

Antes de oferecer o caminho de gestão, vale uma conversa com três perguntas.

  1. A pessoa quer cuidar de gente? Gestão significa dar feedback difícil, escolher prioridades e gastar boa parte da semana em conversas. Quem prefere resolver problemas técnicos costuma sofrer.
  2. Ela já faz algo parecido? Conduzir um projeto pequeno, orientar quem entrou há pouco ou coordenar uma entrega com outras áreas mostram como a pessoa age quando o trabalho depende de outros.
  3. A empresa precisa de um gestor ou de um especialista agora? Às vezes a vaga de gestão aberta não é o que a pessoa nem a empresa precisam. A oHub observa que muitas empresas promovem quando há vaga, não quando há candidato pronto.

Se a resposta à primeira pergunta for não, o Y existe para isso. A pessoa segue na trilha técnica, com critérios próprios e reconhecimento.

Um piloto antes de mudar o cargo

Em vez de promover de uma vez, teste. Dê à pessoa, por três a seis meses, uma responsabilidade parcial sobre pessoas, como coordenar duas pessoas em um projeto, sem mudar o cargo nem o salário. Combine antes o que será observado.

No fim do período, três sinais ajudam a decidir. A pessoa quer continuar? O time responde bem? A entrega técnica dela caiu mais do que a empresa aceita? Se a decisão for não seguir para a gestão, o piloto terminou sem perda para ninguém. Se for seguir, a promoção chega com evidência de que a pessoa já faz parte do trabalho.

E se a pessoa quiser voltar

Tentar a gestão e voltar ao trabalho técnico deve ser permitido. Empresas que tratam a volta como fracasso empurram as pessoas a insistir em um papel que não querem. O Y só funciona se mudar de trilha não vira punição. Combine isso desde o início e escreva na política de carreira.

Os critérios de cada trilha

A trilha técnica pede critérios sobre tamanho do problema, qualidade das decisões e influência sobre os outros. A de gestão pede critérios sobre desenvolvimento de pessoas, clareza de prioridades e resultado do grupo. Os dois conjuntos precisam ser igualmente observáveis. O guia critérios de promoção objetivos mostra como escrever cada um, e o de avaliação de desenvolvedores traz um exemplo de níveis técnicos medidos por escopo.

Cada pessoa também precisa de um plano de desenvolvimento individual que combine com a trilha. Um plano técnico tem ações como assumir o desenho de um módulo e mentorar. Um plano de gestão tem ações como conduzir uma conversa de feedback e acompanhar uma entrega de outra pessoa.

Exemplo de um Y enxuto

Na Trilha Norte Sistemas, empresa fictícia de 30 pessoas, todo o crescimento passava por virar coordenador. Uma desenvolvedora sênior, muito boa em arquitetura, recusou a coordenação duas vezes e começou a procurar vaga fora.

O dono desenhou duas funções, Desenvolvimento e Liderança, com cinco níveis cada e critérios escritos para o quarto e o quinto. Combinou com ela que o nível técnico equivalente teria o mesmo peso nas decisões da empresa. Ela escolheu a trilha técnica e ganhou um critério de formar duas pessoas por ano. Esse exemplo é escrito para ilustrar o processo e não representa um cliente nem um resultado medido.

O que fazer amanhã

Liste as pessoas do time que você já pensou em promover a líder. Para cada uma, responda às três perguntas deste guia. Se alguém respondeu "não quero cuidar de gente", você achou o primeiro caso de trilha técnica.

Depois escreva, em uma frase, o que muda entre o nível sênior e o nível seguinte em cada trilha. Se não conseguir escrever, esse é o trabalho antes de abrir o Y. O guia plano de carreira em pequena empresa traz um roteiro para começar pelas funções e pelos níveis.

No Prisma Times, cada função tem os seus níveis e critérios, e a empresa pode cadastrar a trilha técnica e a de gestão como funções separadas. A liderança propõe e a gestão decide no ciclo de progressão, sempre com decisão humana. Para testar a estrutura, dá para começar com um teste do Ilimitado.

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